RENASCER Daniel Sampaio
O livro “A manta”, de António Sampaio e Nazaré Tojal, não pode deixar ninguém indiferente. Traz até nós o mundo da doença bipolar, essa doença outrora designada como psicose maníaco-depressiva e que finalmente começa a ser falada entre nós.
Quando li este trabalho recordei um livro do escritor americano William Styron, autor de obras conhecidas como “A escolha de Sofia”, que deu origem a um filme com o mesmo nome, e do magnífico romance “Que o fogo consuma esta casa”, ambas traduzidas para português. (...)
“A manta é também a história de várias famílias que se entrecruzam e de personagens atingidas por depressão ou mania. Também surge um compreensivo psiquiatra, o Dr. Santiago, que não só recita o lítio de uma forma adequada, como também está disponível para ouvir e tentar entender, sobretudo no caso de Pedro, um jovem bipolar à procura do amor e que tem de fazer face ao suicídio de sua mãe. E a manta é também personagem, de modo transgeracional atravessa esta narrativa ao longo dos tempos e conforta, une e acarinha quem está deprimido ou pelo menos se sente só. A manta é quase um objecto transitivo no sentido psicanalítico, porque afinal remete para aquele instante singular em que, amparados pela nossa mãe, nos sentimos capazes de desafiar o mundo, facto que, tantas vezes, os doentes bipolares não conseguem atingir.(...)
In prefácio de
Professor Dr. Daniel Sampaio
“Escrito em parceria com Nazaré Tojal, o livro A Manta (...). Trata-se de um romance em que a personagem principal é um jovem doente bipolar e pretende dar a conhecer um pouco mais a doença, de uma forma não técnica, mas educativa. Os problemas em aceitar a bipolaridade, em reconhecer que algo não está bem, em procurar ajuda médica e, mais tarde, enfrentar a sociedade que tende a estigmatizar estes doentes, são apenas alguns dos assuntos abordados no livro.”
In “Nova Gente”
17 de Dezembro 2003
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